Ciência poderá explicar Improvisação no Jazz?

De acordo com estudos recentes, os músicos de jazz desligam inconscientemente regiões do cérebro que dizem respeito à auto-censura e inibição e ligam aquelas que estão ligadas à expressão da própria personalidade. Para isso, os cientistas responsáveis pelo estudo usaram ressonância magnética em tempo real para analisar o cérebro dos músicos enquanto tocavam num teclado especialmente criado para esse efeito.

“Os cientistas descobriram que o córtex pré-frontal dorso-lateral (vasta porção frontal do cérebro que se estende pelos lados) mostrava um abrandamento de actividade durante a improvisação. Esta área está ligada ao planeamento de acções e à auto-censura, tal como o escolher cuidadoso das palavras numa entrevista de emprego. Desligar esta área pode levar a menos inibições, sugeriu Charles Limb, um dos cientistas responsáveis do estudo.

Os investigadores também se depararam com um aumento da actividade no córtex prefrontal mediano, que fica no centro do lóbulo frontal do cérebro. Esta área é responsável pela expressão da personalidade dos músicos e actividades que demonstram individualismo, tal como contar uma histórica acerca de si mesmo.

“O Jazz é muitas vezes descrito como sendo uma forma de arte extremamente individualista. Pode-se descobrir qual o músico de jazz a tocar pois a improvisação de um músico, irá soar apenas como a dele.” disse o professor Limb. “O que nós pensamos que está a acontecer é que quando estás a contar a tua própria história musical, desligas impulsos que podem impedir a criação de ideias originais.” (texto retirado do relatório do estudo)

Resultados:

Relatório do estudo
Artigo

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7 Responses to “Ciência poderá explicar Improvisação no Jazz?”


  1. 1 Rita 23 Março 2008 às 20:58

    Essa cena da auto-censura se desligar é engraçada..Estás portanto a dizer que os músicos, durante o improviso, têm medo da má aceitação do público mas tendem a abstrair-se disso para criarem um estilo próprio.
    Sabias que muitos dos grandes escritores do século XVI e XVII também tinham esse problema? Temiam a má aceitação do publico quando queriam introduzir algo novo, quer essas inovações proviessem do estrangeiro, quer fossem inovações do foro pessoal:)
    Só que o trabalho dos escritores é facilitado… Na sua inovação podem ir introduzindo essas novas características aos poucos e ainda ter um “mecenas” para “aprovar” ou não(e até para proteger essas obras após a publicação) e só “atiravam” as suas obras ao mundo quando já as reconhecem “perfeitas”:P
    Para um músico…É pior. A inovação é na hora. No acto:) Daí a necessidade deles de bloquear essa “auto-censura”…
    Muito interessante o post:D
    kuss***(lol)

  2. 2 Pedro Pregueiro 23 Março 2008 às 22:57

    “Estás portanto a dizer que os músicos, durante o improviso, têm medo da má aceitação do público mas tendem a abstrair-se disso para criarem um estilo próprio.”

    Não é bem essa a ideia. Eles desligam as partes responsáveis pela auto-censura, ou seja, a censura por eles próprio à sua música. Talvez auto-censura não seja forma melhor de o dizer e a culpa é minha, mas não encontrei outra forma.

    Basicamente eles abstraiam-se de pensamentos acerca do que estavam a tocar e simplesmente tocavam, ou seja, dando asas à criatividade. Daí dizer que “ligavam” as zonas responsáveis pela expressão da personalidade.

    Era como se a música que lhes saía no momento de improvisação fosse uma extensão do seu pensamento só que abstraindo-se de pensar musicalmente naquilo que estavam a tocar. Percebes? É um pouco confuso, mas se leres o artigo talvez venhas a compreender melhor. 😛

  3. 3 Rita 23 Março 2008 às 23:05

    Sim percebo. E tinha percebido o que quiseste dizer. Mas de facto, se pensares bem, também podem tentar abstrair-se, como te disse, pois uma inovação nem sempre é bem aceite. Claro que mantém-se a máxima de que o músico está a tocar para si… Mas se também quiser ser ouvido e apreciado, inconscientemente também se verificará a “auto-censura” em outros termos, não aos que te referistes mas aos que eu erradamente sub-entendi:)

  4. 4 Pedro Pregueiro 23 Março 2008 às 23:09

    A questão base nisto tudo é que se trata de uma improvisação. Numa jam session ou num concerto normal. É uma improvisação logo terá que ser natural e não tem sequer em conta aquilo que o público quer ou está habituado a ouvir. A improvisação é isso mesmo, improvisar… Tocar o que lhe vem à cabeça mantendo apenas em mente algumas escalas base e alguns acertos que lhe são naturais.

  5. 5 Rita 23 Março 2008 às 23:12

    Então estas a falar de um concerto que é todo ele uma improvisação! Eu não me referia a uma improvisação geral mas sim algo inovador no meio de um padrão. Percebes? Agora percebi o porquê de estarmos com ideias opostas:P

  6. 6 Pedro Pregueiro 23 Março 2008 às 23:14

    Não estou a falar de um concerto em que todo ele é improvisado, estou a falar de uma improvisação que pode ocorrer no meio de um concerto ou então uma jam session que é uma sessão de improvisação.


  1. 1 CASINO Trackback em 13 Fevereiro 2015 às 23:10

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