Hot Clube de Portugal faz 60 anos

O Hot Clube de Portugal cumpre na quarta-feira 60 anos de vida, passados numa cave lisboeta com uns escassos 48 metros quadrados apinhados de música e de histórias que fazem a História do Jazz em Portugal. Apesar de a cave na Praça da Alegria ser o local mais conhecido, as primeiras instalações do Hot Clube de Portugal foram em casa de Luís Villas-Boas, o fundador e sócio número um deste clube nocturno.

“O Hot Clube só teve existência legal em 1950, quando o governador civil aprovou os estatutos. De 1948 a 1950 andámos a discutir os estatutos e a sede era em casa do Villas-Boas“, recordou Bernardo Moreira, antigo contrabaixista e presidente do clube desde 1992.

Villas-Boas lançou a ideia de criar um clube de jazz durante um programa radiofónico que tinha na Emissora Nacional. Depois de ter angariado apoios, assinou a primeira ficha de sócio a 19 de Março de 1948, onde se pode ver o logotipo que se mantém até hoje – uma luva preta sobre as teclas de um piano.

Se hoje o clube tem perto de 400 sócios, quando abriu tinha mais de 700, mas na altura a maioria inscreveu-se por solidariedade com Villas-Boas, conta Bernardo Moreira. “A grande maioria destes 700 sócios pagou a primeira vez, mas nunca entrou no clube e se calhar nunca ouviu jazz. Eram boxeurs do Parque Mayer, coristas do teatro de revista e fizeram um acto de solidariedade com o Villas-Boas“, explicou o antigo contrabaixista do Hot. Entre os sócios fundadores figuram nomes da cena cultural como o fotógrafo Gérard Castello-Lopes, o músico Artur Carneiro (pai do antigo ministro Roberto Carneiro) e Augusto Mayer, aos quais se juntaram sócios ocasionais, como Catherine Deneuve, Alexandre O´Neill e Raul Solnado. As quotas mensais custavam dez escudos, o que, pelas contas de Bernardo Moreira, equivalia hoje a 50 euros.

Nestes 60 anos pela cave do Hot Clube passaram centenas de artistas internacionais, como Count Basie, Dexter Gordon e Sarah Vaughn, e lá estudaram músicos como António Pinho Vargas, Mário Laginha, Carlos Bica e Tomás Pimentel.

Sindicalista e apaixonado por jazz, Villas-Boas decidiu um dia criar um clube nocturno para divulgar o que era visto na altura por alguns intelectuais como “música de selvagens”. Sem ele, diz Bernardo Moreira, não havia história do jazz em Portugal e o espólio que deixou ao Hot depois de morrer é um espelho dessa dedicação à divulgação do jazz. Depositado numa sala no edifício onde funciona a escola do Hot Clube, o espólio tem mais de quatro mil discos, três centenas de livros, quase 800 cartazes e 900 guiões de programas radiofónicos, aos quais se juntam cassetes, bobinas de gravações e preciosidades como uma grafonola para discos de 78 rotações. Bilhetes de avião e de concertos, milhares de fotografias e um caderno com pautas de temas de jazz manuscritas por Villas-Boas são outros objectos do espólio e poderão ser vistos numa futura Casa do Jazz, que a direcção do Hot quer abrir no edifício onde está localizado o clube.

“Nós queríamos que essa Casa do Jazz tivesse uma componente de investigação, com aulas e workshops, com um núcleo museológico integrado aberto à investigação, porque tudo o que está aqui está a ser inventariado, mas não está estudado”, explicou Bernardo Moreira. Aqueles pequenos 48 metros quadrados da cave do Hot fazem parte do futuro do primeiro e mais antigo clube de jazz em Portugal. Para Bernardo Moreira, o papel do Hot Clube “será aquilo que for a evolução do jazz”.

Fonte: Agência LUSA

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2 Responses to “Hot Clube de Portugal faz 60 anos”


  1. 1 Paulo Gama 18 Março 2008 às 00:24

    Mal ou bem,deixem o JAZZ existir!


  1. 1 Concerto comemorativo dos 60 anos do HCP « All That Jazz Trackback em 16 Março 2008 às 22:24

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Para mais informações sobre os Clubes de Jazz acima mencionados, confiram o post sobre Clubes de Jazz em Portugal

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