Património com Jazz

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Com o objectivo de promover e divulgar a cultura contemporânea de vanguarda, o património cultural e histórico de Barcelos e contribuir para a dinamização cultural da cidade, a Zoom – Associação Cultural, a Amimuola – Associação dos Amigos do Museu de Olaria e a Acib – Associação Comercial e Industrial de Barcelos apresentam o Património com Jazz, que se realiza de 4 a 28 de Julho. Esta iniciativa, com a Direcção artística de Pedro Costa, conta com o apoio da Câmara Municipal de Barcelos, do IPJ e da Escola de Artes OOPS e contempla a apresentação de 4 concertos de avant-jazz em dois espaços património histórico da cidade – Paço dos Duques de Barcelos e Claustro do Museu de Olaria. (texto do Jacc.pt).

Quando se trata de jazz e improvisação, é certo e sabido que a música que se vai ouvir fala muitas línguas e é o produto de um encontro de músicos com “backgrounds”, culturas e perspectivas do mundo muito diferentes. Em Barcelos, o Português cruzar-se-á com o Inglês de pronúncia americana e escocesa, o Alemão, o Sueco, o Norueguês e o Francês porque por essas línguas passa a rota das músicas criativas dos nossos dias. Se o conceito de “vanguarda” morreu há 40 anos com o minimalismo e o free jazz, um e o outro as derradeiras frentes musicais organizadas, as propostas deste ciclo de concertos dedicado ao jazz progressivo continuam, de qualquer modo, a ter por definição o estarem mais à frente. O século XXI chegou mesmo ao Cávado…

Programação:

dia 4 de Julho – Gunter “Baby” Sommer / Raymond MacDonald
Paço dos Condes | Início 22:00h | Preço 5€

Quando temos perante nós um duo de saxofone e bateria e um dos músicos se chama Gunter “Baby” Sommer, de antemão que vamos assistir a uma abordagem essencialista dos poderes comunicativos da improvisação. E ei-lo, nu até ao osso – um free jazz solto, intenso e furioso, não de raiva mas com uma imensa alegria. Este é um encontro de gerações, o percussionista alemão (Sommer) um pioneiro, o saxofonista escocês (MacDonald) um novo valor da cena internacional. O que aqui temos é infra e hiper-música, música de antes e de depois da música, nuclear e ao mesmo tempo cósmica, tal como a praticada por John Coltrane e Rashied Ali. Nada tem de mística, mas a celebração que faz da vida é equivalente. “Baby” Sommer pertenceu à mesma brigada de revolucionários do jazz em que se deram a conhecer Peter Brotzmann, Alexander von Schlippenbach, Peter Kowald, Evan Parker, Leo Smith e Cecil Taylor quando o mundo mudou para sempre nas décadas de 60 e 70. Longe de se deixar impressionar por isso, MacDonald tem num interessante percurso o seu BI, seja com o Burt-MacDonald Quintet, com a Glasgow Improvisers Orchestra ou tocando com luminárias do Reino Unido como Keith Tippett, Maggie Nicols, Lol Coxhill ou Harry Beckett. É impossível ficarmos indiferentes ao que nos propõem, na mesma medida em que é impossível eles ficarem indiferentes um ao outro.

Ficha Técnica:
Percussão – Gunter “Baby” Sommer
Saxofones – Raymond MacDonald

dia 13 de Julho – Stephen Gauci / Ingebrigt Haker Flaten
Paço dos Condes | Início 22:00h | Entrada Livre*

Estados Unidos, Noruega e Portugal em trio. Nenhuma música como a improvisada é capaz de concertar culturas com a espontaneidade que está na sua natureza e na sua razão de ser. Stephen Gauci, Ingebrigt Haker Flaten e Jorge Queijo nunca tocaram juntos nem nada vão preparar antes de subirem para o palco. Será um momento de improvisação total e absoluta. Com o formato-padrão de um combo do free jazz, isto é, sem instrumento harmónico, apenas um saxofone sobre a base rítmica proporcionada pelo contrabaixo e pela bateria, o que teremos promete ser intenso e exploratório. Gauci tem-se distinguido nas últimas fornadas de saxofonistas surgidas em Nova Iorque […] Haker Flaten é um dos mais jovens prodígios do contrabaixo dos nossos dias, aliando um enorme respeito pela tradição com uma inventividade, muito europeia e nórdica, que o coloca na linha da frente. […] Queijo, por fim, já há muito que deixou de ser apenas uma promessa do jazz português para se tornar no baterista certo quando a música se quer aberta e inconformista. Agora, chegou a altura de brilhar na companhia dos melhores que nos visitam..

Ficha Técnica:
Saxofone tenor – Stephen Gauci
Contrabaixo – Ingebrigt Haker Flaten
Bateria – Jorge Queijo

dia 20 de Julho – Louis Sclavis / Vincent Courtois Duo
Paço dos Condes | Início 22:00h | Preço 5€

Ainda que muitos tenham como assente que o mundo é governado pelo Acaso, há coisas cuja inevitabilidade parece mesmo obra do destino. Uma delas era (e vai ser no ForUjazz) a apresentação ao vivo do duo formado por Louis Sclavis e Vincent Courtois, dois companheiros de longa data nas lides da música criativa de matriz jazz. Estiveram juntos em muitos palcos e estúdios (Courtois tem sido membro fixo dos mais recentes grupos de Sclavis), mas sempre com outros músicos de permeio, como nos celebrados “Napoli’s Walls” e “L’Affrontement des Prétendants”. Agora, vamos vê-los e ouvi-los no mais directo dos “tête-a-têtes”, clarinetes em si bemol e baixo e saxofone soprano de um lado, violoncelo e electrónica do outro. Não estranhará que algumas das composições a servir de base para o trabalho improvisacional de ambos provenham daqueles dois discos assinados por Louis Sclavis, nem que possamos reconhecer temas retirados, por exemplo, a “Translucide”, de Vincent Courtois, mas neste contexto soarão a algo de muito diferente. Com uma maior crueza, provavelmente, mas também com um reforço de imediatismo. […]

Ficha Técnica:
Saxofones e clarinete – Louis Sclavis
Violoncelo e electrónica – Vincent Courtois

dia 28 de Julho – Ben Stapp Trio
Paço dos Condes | Início 22:00h | Preço 5€

Na página que mantém no myspace.com, o jovem tubista americano Ben Stapp diz que gostaria de conhecer os filhos do Sr. Bebop com a Sra. Neue Muzik, e essa aspiração caracteriza muito bem o seu modo de estar na música. A sua paixão pelo jazz da década de 50 e pela música “clássica contemporânea”, como é chamada nos EUA, a que junta um particular gosto por “jazzmen” inconformistas como Anthony Braxton e Steve Lacy e por projectos situados nas margens do rock e do hip hop como Tool e Outkast, reflecte-se na música do seu novo trio português. Essa postura implicaria que se fizesse acompanhar por instrumentistas com igual abertura e é esse o caso, precisamente, do saxofonista e flautista Paulo Curado e do baterista Jorge Queijo. O primeiro vem perseguindo uma causa que o nome do seu projecto O Lugar da Desordem evidencia cabalmente. Essa desordem é a mesma proposta por Adorno como uma terceira via além do conceito de música programática de Stravinsky e do determinismo das “leis internas” da composição advogado por Schoenberg. O importante, para eles, é que uma cooperação musical possa ser um factor de democracia, nenhum elemento se sobrepondo aos demais. Interpretação de partituras escritas e improvisação relacionam-se das formas menos óbvias, por vezes sendo mesmo impossível discernir onde termina uma e começa a outra. Terreno fértil para Queijo demonstrar por que motivo é a escolha certa nas baquetas quando se trata de construir algo fora do “status quo”.

Ficha Técnica:
Tuba – Ben Stapp
Saxofones alto e soprano – Paulo Curado
Bateria – Jorge Queijo

Cartaz:

Património com Jazz - Cartaz

* – Entrada Livre com reserva antecipada de bilhetes no dia 13

Fonte: Zoom | Jacc.pt

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