Out.Fest 2007

Out.Fest 2007O Out.Fest é um festival anual cuja programação procura reflectir o que de mais significativo se faz actualmente na música experimental contemporânea, nas suas mais diversas ramificações – da música improvisada à electrónica abstracta, do free-jazz ao noise e ás novas e inclassificáveis linguagens que todos os dias nascem e enriquecem um pouco mais o mundo.

A par com a música, convive todo um excitante universo de experiências e cruzamentos inter-media que fervilha de novidade, desafiando as regras e as fronteiras clássicas das diversas formas de expressão artística e humana.
O conceito de Imagem, no contexto do Out.Fest, pretende acolher e abranger todas as formas de expressão artística não estritamente musical, procurando ser um ponto de divulgação de novos e interessantes caminhos nas áreas do cinema, vídeo, fotografia, artes performativas e do vastíssimo mundo das artes de expressão plástica.

Da necessidade de um evento que assinale a extrema importância de toda esta actividade nas margens e linhas da frente da cultura dos nossos dias surge o Out.Fest. A partir da periferia de Lisboa, grande centro cultural do país, traça-se um paralelo quase perfeito com a periferia do mainstream artístico, região fértil e laboratório insuspeito da grande arte dos nossos tempos.

Programação

16 de Junho

Variable Geometry Orchestra
Auditório Municipal Augusto Cabrita

A música produzida pela Orquestra da Geometria Variável resulta do jogo do material acústico versus o electrónico […] tenta-se aplicar novos conceitos de indeterminação e composição instantânea, através da erupção assimetricamente alternada de momentos de som e silêncio (ausência de som identificável) com predominância para estes últimos, ­seja pela emissão de sons de características subliminares e psico-acústicas, seja pela completa ausência de sons, permitindo assim aos músicos recuperar o seu ritmo natural de respiração e sentido aleatório de pulsação, bem como escutar toda a espécie de acontecimentos sonoros que estejam a ocorrer nesse preciso momento no espaço envolvente, ou então “simplesmente” escutar o que outro músico tenha começado, entretanto, a fazer, sem a preocupação de responder imediatamente e assim encher de forma inútil o espaço sonoro.

Tsuki
Auditório Municipal Augusto Cabrita

Duo de Ricardo Costa (electrónica) e José Lencastre (saxofone). Assumindo como base uma primeira fonte acústica, o saxofone, os Tsuki produzem, através do processamento electrónico, do circuit bending, e de material de modulação analógica, improvisações que se aproximam de um certo léxico ambient, prenhe de inflexões jazzisticas e incursões eminentemente contemplativas. Editaram já dois cd’s de produção caseira e tiragem reduzidíssima – “Looking for principles in others” e “I wish the mountain had an eye”. O concerto dos Tsuki no Out.Fest será acompanhado pela projecção de “Samplenature_03.01”, de Carlos Gomes.

17 de Junho

Wolf Eyes
Auditório Municipal Augusto Cabrita

Figuras de proa indisputadas da revolução do ruído a ter lugar nos últimos anos, os Wolf Eyes são os reis contemporâneos no campo do trabalho textural sobre ruído em formas novas (Anthony Braxton, bastião do free jazz, reconheceu-o; muitos outros prestaram vassalagem), partindo tanto de explorações de formas abertas, como trazendo o noise para o formato, muito distorcido e actualizado, de canção rock. Editaram em 2006 ‘Human Animal’, segundo registo lançado pelos Wolf Eyes na Sub Pop, testamento maior a todo um turbilhão de criatividade que têm vindo a gerar, influenciando centenas de criativos e miúdos a pegar num microfone, nuns pedais de efeitos e a berrar mais um bocado de verdade.

Orthodox
Auditório Municipal Augusto Cabrita

Banda oriunda de Sevilha, editou recentemente ‘Gran Poder’ pela Southern Lord/Alone, disco que é um alto tratado de doom metal andaluz. Afirmando que têm como influências maiores Black Sabbath e John Coltrane, pegam no cerimonialismo doom e na parafernália pagã que lhes é local, conseguindo trabalhar formas abertas e invulgares nos cânones do metal. Um exemplo ímpar de música fresca a sair de Espanha, que se apresenta em estreia nacional no Out.Fest.

Tropa Macaca
Auditório Municipal Augusto Cabrita

Segunda passagem pelo Out.Fest do duo nortenho constituído por Ju-Undo (Joana da Conceição) e Símio Superior (André Abel), depois de, na edição de 2005, e em modo ensemble com os Fish & Sheep, terem oferecido uma das melhores prestações da história do festival. A música da Tropa Macaca tem vindo a refinar e a apurar a olhos vistos, construída e destruída a partir de uma junção de electrónicas e guitarra eléctrica, muitas vezes transfigurada a ponto de se tornar irreconhecível. O todo sonoro aproxima-se frequentemente da expressão total e da pura hipnose sónica, filtrando e cruzando inúmeros ramos das músicas experimentais, abrindo e fechando novas avenidas e possibilidades a cada instante. Para este ano está marcada a edição do primeiro LP, “Marfim”.

22 de Junho

Samara Lubelski
Auditório Municipal Augusto Cabrita

Fundadora dos Hall of Fame, membro da Bummer Road/Medicine Show de Matt Valentine, e produtora para registos maiores de artistas como os Sightings ou Mouthus, Samara Lubelski está prestes a lançar o seu segundo disco de canções pela novaiorquina Social Registry. Violinista e compositora, trabalha o formato canção com uma visão harmónica e orquestral muito própria, pertencente a uma linhagem que une Kevin Ayers a Robert Wyatt e ao próprio Matt Valentine. Recentemente fez também parte da banda para o próximo registo a solo de Thurston Moore, dos Sonic Youth, a sair em breve. Apresenta-se ao vivo com dois membros do colectivo/comuna germânico Metabolismus, com quem tem vindo a colaborar de há mais de uma década para cá.

Curia
Auditório Municipal Augusto Cabrita

Quarteto lisboeta formado no ano corrente, por figuras – todas elas – maiores das músicas experimentais portuguesas, os Curia são um cruzamento riquíssimo de ideias, trabalhos, gerações e linguagens, que unem David Maranha (Osso Exótico, Organ Eye, no orgão Hammond e também em violino), Manuel Mota (fundamental guitarrista das músicas livres contemporâneas), Margarida Garcia (contrabaixista por prática, mas neste contexto dedicada à guitarra eléctrica tocada com arco, improvisadora de enorme mérito e impressionante currículo) e Afonso Simões (baterista, figura pivotal nas novas gerações de livre pensamento nacionais, membro dos Fish & Sheep e dos Manta Rota) Juntos, disssertam, questionam, encontram, respondem e afirmam com explorações certeiras sobre timbre, textura acústica e eléctrica, gerando uma massa de narrativa própria em passo, corpo acústico e linguagem.

Aki Onda
Auditório Municipal Augusto Cabrita

Artista de destaque nas músicas experimentais japonesas da última década, Aki Onda é um improvisador, arquivista e crítico de reputação nos meios da música exploratória. Seja através dos seus quatro “radio dramas” já editados, como através da maravilhosa série ‘cassette memories’, em que trabalha gravações de campo antigas e actuais, tratando-as como um diário constante. […] Para além de um currículo já longo também enquanto crítico, Onda tem ainda um percurso nas artes visuais, tendo exposto por duas ocasiões nos Anthology Film Archives nova-iorquinos. Estreia nacional.

Manuel Gião
Auditório Municipal Augusto Cabrita

[…] O trabalho explorador de Manuel Gião é guiado por um apurado sentido de tensão, de acumulação e descarga, que sintetiza com aparente facilidade manifestações estéticas à partida tidas como díspares, como sejam a claustrofobia associada à génese da mais extrema musica industrial da década de oitenta, o drone quase solar e revelador de Tony Conrad, a exploração free-form de um Fred Frith ou um Henry Kaiser, e a electrónica mais abstracta revista à luz de um passado de influências declaradamente mais rock, com aproximações pontuais à fase mais recente dos nova-iorquinos Black Dice.

23 de Junho

Caveira
Avenida da Praia

Depois de dois anos repletos de actuações memoráveis, com concertos a abrir para Devendra Banhart e Comets On Fire no currículo, para além da inesquecível noite em que integraram a Damo Suzuki’s Network, os Caveira regressam ao Out.Fest […] agora em formato duo, guitarra e bateria, Pedro Gomes (Manta Rota, Braço) e Joaquim Albergaria (Vicious 5) […]Vai ser a primeira oportunidade de testemunhar Caveira ao ar livre, que se cuidem os pardais.

Josué o Salvador
Avenida da Praia

Trio que emerge lentamente dos escombros da febre rock n’ roll de Coimbra, praticando uma mistura ácida de sludge, stoner e doom rock subversivo e espontâneo, música psicadélica para hippies deprimidos, volume bruto para metaleiros expansivos, e negrume opressivo para góticos experimentalistas. Preparam-se para a edição, ainda este ano, do seu primeiro registo discográfico, “In the mood for Satan”, a sair pela editora norte-americana Scumbag Tapes.

Outras Actividades:

De 16 a 23 de Junho, ou seja, durante todo o festival, haverá no AMAC (Auditório Municipal Augusto Cabrita), das 17 às 22h, um espaço chamado Ouvido Raro | Rare Ear onde “O que se pretende é invocar e provocar uma ou duas coisas, essenciais, do nosso ponto de vista, para que se esclareça o extraordinário significado universal da música. Criar esta oportunidade de reflexão sobre algo que é tão fundamental quanto banal e ignorado: a oportunidade extraordinária de descobrir, participar de, e gozar a beleza inesperada – essa espécie de preciosa e fugaz elevação do espírito.” Este espaço contará com artistas convidados, como André Gonçalves, Kenneth Kirschner, Tiago Sousa, Gustavo Costa, entre outros.

No dia 14 de Junho, na Fonoteca de Lisboa haverá uma conferência: A Genealogia das (novas) Músicas Livres, que é uma “Apresentação ao público de Lisboa, prólogo do Out.Fest 2007, uma conferência-debate que contará com as intervenções de Rui Eduardo Paes (jornalista, crítico, ensaísta, actualmente editor da excelente revista Jazz.pt), Sei Miguel (dos mais brilhantes e respeitados músicos na história da música em Portugal, pessoa de cultura musical inigualável) e José Marmeleira (jornalista e crítico musical sempre atento às revoluções desapercebidas do underground mundial).”

 

Todos os textos aqui postos foram retirados do site da Organização do Festival, fazendo-lhes apenas algumas alterações. Para quem os quiser ver no seu formato original, dirija-se ao Site Oficial

Horário: Todos os concertos começam às 22h, exceptuando o dia 21 em que começam às 21h. Todos eles acabarão antes da 1h30, segundo a organização.
Preço: Todos os concertos no Auditório Municipal Augusto Cabrita são 5 Euros, enquanto que os concertos na Avenida da Praia têm entrada livre. As restantes actividades têm também, entrada livre.

Fonte: Out.Fest 2007

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Para mais informações sobre os Clubes de Jazz acima mencionados, confiram o post sobre Clubes de Jazz em Portugal

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