Jazz ás Quintas no CCB

Jazz ás QuintasO Centro Cultural de Belém e a Trem Azul Apresentam a partir de Maio a iniciativa Jazz ás Quintas com entrada gratuita.

Programação Jazz ás Quintas – CCB

Maio:
03 – Russ Lossing Solo Piano (USA)
10 – Quarteto de Júlio Resende (Portugal)
17 – Herb Robertson/Evan Parker/
Agustí Fernandez Trio
(UK / USA / Espanha)
24 – Luís Lopes Humanization Quartet (Portugal / USA)
31 – Wishful Thinking (Portugal/Brasil / Alemanha)
Junho
:
07 – Rodrigo Amado/Carlos Zíngaro/Pedro Gonçalves (Portugal)
14 – Rashiim Ausar Sahu / Ibrahim Galissa Duo (Guiné Bissau / USA)
21 – Ernesto Rodrigues/Manuel Mota/José Oliveira (Portugal)
28 – Quinteto de Afonso Pais (Portugal)

Maio:

3 Maio
Russ Lossing
Solo piano

Improvisador nato, mas daqueles músicos espontâneos e intuitivos para quem o improviso é uma forma mais de composição e não apenas uma questão de “jamming”, o pianista Russ Lossing já demonstrou que encara o solo de forma especial, talvez por o formato lhe permitir uma relação mais íntima com o som. A atitude é livre, mas o enfoque muito cingido a aspectos particulares como os intervalos ou os espaços, que explora ao pormenor até considerar que fez tudo o que tinha a fazer com a fórmula em uso numa determinada ocasião. Um dos raros descendentes de Paul Bley, não desdenha a interpretação dos grandes nomes do jazz, como Duke Ellington, Sonny Rollins ou Ornette Coleman, mas fá-lo sem intuitos celebratórios, antes procurando retirar desses “standards” as sementes do futuro. E ninguém se surpreenda se Lossing manipular directamente o interior do seu piano ou o preparar à maneira de John Cage, mantendo o pedal de sustém permanentemente em baixo – todas as técnicas inventadas ao longo dos últimos 100 anos para o piano são-lhe úteis de alguma maneira. Exemplar.

10 Maio
Quarteto de Júlio Resende

Júlio Resende – piano, composições
José Pedro – saxofone tenor
Hugo Antunes – contrabaixo
Alexandre Frazão – bateria

“Diz-se que é nos sonhos que as almas abandonam a sua prisão-corpo e viajam sem os constrangimentos das leis físicas, atravessando paredes, quebrando distâncias. Daí que nos sonhos possamos fazer coisas sobre-humanas. Somos nos sonhos maiores do que o próprio mundo, porque nos sonhos somos o próprio mundo, criamo-lo. O que anseio da minha música é esta liberdade criadora da alma nos sonhos, e é no jazz e na sua valorização da liberdade que a minha alma encontrou o seu sonho” – a citação é do pianista Júlio Resende, que com o seu quarteto se propõe interpretar música original e recriar “standards” do jazz e da pop. As referências vão da música dita “clássica”, seja a antiga (Bach) como a do romantismo (Chopin), ao funk de James Brown, resultando numa “música ampla mas com identidade unificadora”, sendo o jazz a massa que une os tijolos da obra.

17 Maio
Evan Parker/Herb Robertson/Agustí Fernandez

Evan Parker – saxofone soprano e tenor
Herb Robertson – trompete
Agustí Fernandez – piano

Supertrio formado entre um saxofonista livre-improvisador que sempre deu mostras de nunca ter esquecido o jazz (Evan Parker), tanto assim que não esconde o seu gosto em interpretar John Coltrane, um trompetista de jazz com preocupações de inovação que o têm levado a incursões “off-off”, por exemplo com o executante de “endangered guitar” Hans Tammen (Herb Robertson) e um pianista que estudou com Xenakis e lembrou o anarquista catalão Buenaventura Durruti num projecto que juntou músicos de free jazz e de free music (Agustí Fernandez), não é simplesmente um encontro de personalidades o que se propõe neste concerto, mas todo um projecto interventivo: utilizar sons de índole percussiva (nada fácil nos instrumentos de sopro, implicando o uso de técnicas extensivas, e no caso do piano trazendo este para a sua condição primeira – não esqueçamos que o mecanismo deste instrumento se baseia na acção dos martelos sobre as cordas) ou que sejam um sucedâneo da electrónica, se bem que os únicos dispositivos electrónicos a que recorram sejam os microfones. Tudo isto sob uma abordagem específica, a da “improvisação de grupo”, colectiva, sem hierarquizações de papéis ou de parâmetros musicais.

24 Maio
Luís Lopes Humanization Quartet

Luís Lopes – guitarra
Rodrigo Amado – saxofone tenor
Aaron González – contrabaixo
Stefan González – bateria

“O conceito de “música criativa” tem sido defendido por Anthony Braxton para acabar de vez com as dúvidas entre o que é e o que não é o jazz, quando se constata que músicos desde sempre considerados de jazz não aceitam pacificamente o rótulo e que músicos que não se movimentam nessa área afinal dão conta do seu legado histórico, técnico e estético. É nesse âmbito também que actua o Humanization 4Tet, grupo luso-americano que junta dois lisboetas, o guitarrista Luís Lopes e o saxofonista Rodrigo Amado, a dois texanos, os irmãos Aaron e Stephan Gonzalez, respectivamente contrabaixista e baterista. Quando se sabe que o jazz desde sempre foi um sorvedor de géneros e estilos e que praticamente todas as músicas urbanas hoje feitas no mundo interiorizam de um modo ou de outro características da “grande música negra”, os perfis destes quatro criativos atesta bem o que está em causa, ou não tivesse Lopes também influências do rock e dos blues e uma confessada devoção, entre outros, por Hendrix, Page, Big Bill Broonzy e Lonnie Johnson, não estivesse Amado envolvido com outras práticas musicais além do free bop dos seus Lisbon Improvisation Players, como por exemplo o hip hop dos Rocky Marsiano, e o percurso dos Gonzalez não incluísse uma passagem pelo punk que para sempre lhes definiu uma atitude. De música criativa universal, pois, se trata, com matriz no jazz e abertura a tudo, composta, improvisada, desconstrutiva, positivista nas intenções e grávida de futuro. Vale a pena ouvir.!

31 Maio
Wishful Thinking

Alípio C Neto – saxofone tenor
Johannes Krieger – trompete
Alex Maguire – piano
Ricardo Freitas – baixo eléctrico
Rui Gonçalves – bateria

Com a finalidade de reunir um núcleo criativo de músicos-compositores, Alípio C Neto resolveu formar em 2005 o Wishful Thinking. Juntamente com Alex Maguire, com quem trabalha desde 1999, encontrou a vertente ideal para um ensemble que elaborasse composições originais no limite que propõe o jazz, a música improvisada de uma forma geral e a música contemporânea. Johannes Krieger, Ricardo Freitas e Rui Gonçalves tornaram-se nos instrumentistas ideais por partilharem uma estética musical que encontra a sua maior expressão na intensidade e na diversidade de suas respectivas linguagens como compositores. O nome do projecto surgiu quando Neto e Alex ouviram o tema “Pensamento Positivo” no disco “Festa dos Deuses” de Hermeto Pascoal. Os Wishful Thinking lançaram este ano o seu primeiro álbum, The Jump of the Cat.

Junho

7 Junho
Rodrigo Amado / Carlos Zíngaro / Pedro Gonçalves

Rodrigo Amado – saxofones
Carlos Zíngaro – violino
Pedro Gonçalves – contrabaixo

Derivação do projecto já documentado em disco de um invulgar trio constituído por um saxofonista, um violinista e um contrabaixista, com a diferença de este último ser agora Pedro Gonçalves e não o Ken Filiano que ouvimos em Space Between, a formação proposta envolve três dos nomes mais em destaque no jazz avançado actualmente praticado em Portugal. Mentor e alma dos Lisbon Improvisation Players, Rodrigo Amado é bem o exemplo do músico que, nunca recorrendo à composição ou à leitura, utiliza um discurso idiomático próprio de uma música simultaneamente escrita e improvisada como é o jazz, aplicando-o nos mais diversos contextos, mesmo que não especificamente jazzísticos. Figura de relevo na cena internacional da chamada “música improvisada europeia”, Carlos “Zíngaro” é outro exemplo de um músico à vontade nas situações mais díspares, ora conotadas com o jazz, ora de condição “experimental”. A mesma flexibilidade caracteriza Gonçalves, que podemos encontrar em formações “mainstream” ou free e inserido no projecto de country-fado-rock Dead Combo. É a junção de personalidades musicais deste tipo que possibilita a livre criatividade…

14 Junho
Rashiim Ausar Sahu / Ibrahim Galissa Duo

Rashiim Ausar Sahu – contrabaixo
Ibrahim Galissa – kora

Porque desde os primórdios da humanidade é com a diáspora que se constrói o mundo, dois músicos de partes distantes da nave espacial Terra, um norte-americano, o outro guineense, encontram-se para fazer música segundo o entendimento que respectivamente têm do continente-mãe, África. Ausar-Sahu vem do jazz e toca contrabaixo, Galissa segue a tradição mandinga com a mais sedutora das harpas, a africana kora. Não precisam de fazer um grande esforço para dialogarem; improvisam, mas é como se desde sempre tivessem tocado juntos, fluindo os sons que retiram das cordas com a naturalidade das coisas que se têm como certas, como a luz do sol ou a chuva.

21 Junho
Ernesto Rodrigues/Manuel Mota/José Oliveira

Ernesto Rodrigues – violino
Manuel Mota – guitarra
José Oliveira – bateria e percussão

Com formação clássica e a influência da escrita musical contemporânea, em especial a de Emmanuel Nunes, mas actividade na área da livre-improvisação e do chamado “near silence”, a grande paixão do violinista e violista Ernesto Rodrigues é claramente o free jazz. O percurso de Manuel Mota foi feito nos domínios do experimentalismo, mas o seu crescente interesse pelo “finger-picking” dos blues do Delta e pelos guitarristas históricos do jazz, como Wes Montgomery e principalmente Charlie Christian, levaram-no a assumir-se como um executante desta música, por pouco ortodoxos que os seus fraseados quebrados pareçam, objecto, aliás, do elogio de Derek Bailey, que o apontou como um dos grandes inovadores internacionais da guitarra na actualidade. Também performer, artista visual e poeta ligado ao Fluxus, José Oliveira será o percussionista português que há mais tempo se dedica à estética do free, surgindo como o equivalente nacional de Paul Lytton, Eddie Prévost, Paul Lovens e Lê Quan Ninh. Em trio, deles será de esperar um jazz do século XXI.

28 Junho
Quinteto de Afonso Pais

Afonso Pais – guitarra
Jorge Reis – saxofones
Luís Cunha – trombone
Nelson Cascais – contrabaixo
André Sousa Machado – bateria

Afonso Pais não é apenas um de vários guitarristas do jazz nacional, é um proeminente compositor e músico, um excelente exemplo da extraordinária safra que a guitarra jazz portuguesa tem dado ao mundo nos ultimos 10 / 15 anos. O que salta à vista no seu quinteto é a frescura das composições, a solidez e o “interplay”, mas sobretudo a convicção de Afonso, em cada nota que dá, sem medos nem inseguranças, na certeza do caminho a seguir e num raro exemplo de maturidade. A música de Afonso Pais tem como propósito apelar ao imaginário do ouvinte, evocando lugares já visitados e outros reinventados. Assim surgiu um conjunto de temas que representam uma pesquisa numa direcção bem definida, sempre aberta à espontaneidade e ao imprevisto, apresentada sob a forma de canções.

Fonte: Trem Azul | CCB

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