forUard

forUardO festival forUard III, organizado pela Trem Azul, decorre nos dias 18, 19 e 20 Março, em Lisboa. Em edições anteriores (em que se chamou forUmusic e forUjazz), este evento acolheu figuras de topo como Joachim Kuhn, Don Byron, Rashied Ali/Sonny Fortune, Louis Sclavis, Peter Brotzmann e Alexander Von Schlippenbach, além dos portugueses LIP, Afonso Pais e Zé Eduardo Unit.A grande aposta da edição deste ano vai para o disco do quarteto 4 Corners, que tem a particularidade de juntar dois americanos (Ken Vandermark e Adam Lane) e dois europeus (o sueco Magnus Broo e o norueguês Paal Nilssen-Love) num exemplo de que se podem estabelecer óptimas relações musicais entre os dois lados do Atlântico.Sem poder contar este ano com o apoio da autarquia lisboeta, o festival vai decorrer em dois locais durante três dias. Inicia-se na Trem Azul Jazz Store no dia 18 de Março com o inédito duo Ken Vandermark / Carlos “Zíngaro”, seguindo para o pequeno auditório do CCB com o grupo 4 Corners, numa apresentação do seu disco de estreia para a Clean Feed, regressando à loja da Trem Azul para um concerto com o quinteto Wishful Thinking que inclui o pianista britânico Alex Maguire e o saxofonista Alípio Carvalho Neto, também este grupo com um disco homónimo, Wishful Thinking.

Programa Detalhado:

Dia 18 de Março – Carlos Zíngaro / Ken Vandermark
Trem Azul Jazz Store | Início 18.30h | Preço único 10 €

Ken Vandermark pode ter escolhido um violoncelista, Fred Lonberg-Holm, para substituir o trombonista Jeb Bishop nos seus Vandermark 5, mas o único violino que já ouvimos a tocar consigo foi o de Phil Wachsmann, num projecto chamado CINC por ambos partilhado com Paul Lytton. Da parte de Carlos “Zíngaro”, é conhecida a sua relutância em trabalhar com saxofonistas, mas quando tal aconteceu – com Daunik Lazro, Evan Parker, Steve Lacy, Mats Gustafsson e John Butcher, sobretudo – o entrosamento foi muito especial. As reservas do músico português têm que ver com o facto de o saxofone estar à partida muito conotado como o instrumento-tipo do jazz, mas o certo é que aquilo que faz com o violino, e isso nota-se no corpo das notas que dele arranca e nas respirações dos seus fraseados, tem mais os clarinetes como referência do que propriamente outros violinistas. Ora, Vandermark é também um dos mais interessantes clarinetistas da actualidade, pelo que o comum gosto destes dois homens pelas sonoridades da madeira só contribuirá para os aproximar. Temos aqui, pois, uma estreia absoluta para estes exímios improvisadores, e importante porque emendará a injustiça de nunca terem antes tido a oportunidade de tocar juntos. Para todos os efeitos, alguns dos parceiros de Ken Vandermark, passados e presentes, tocaram também com o violinista de Lisboa, casos por exemplo de Lonberg-Holm, Mats Gustafsson, Peter Brotzmann, Hamid Drake, Peter Kowald e Axel Dorner. Com tal contexto, o encontro que assim se proporciona tem todas as condições para vir a ser uma ocasião histórica, com resultados imprevisíveis mas que, com certeza, serão de elevada qualidade.” (texto da organização)

Ficha Técnica
Violino – Carlos Zíngaro
Clarinetes, Saxofone barítono – Ken Vandermark

Dia 19 de Março – 4 Corners
CCB – Pequeno Auditório | Início 21.00h | Preço único 15 €

“Quando se fala da “cena de Chicago”, uma das principais frentes do jazz que se pratica nos EUA, o primeiro nome que vem à mente é o de Ken Vandermark. Líder ou mentor de uma boa quantidade de grupos com actividade regular (Vandermark 5, Territory Band, Spaceways Inc, Tripleplay, etc.) e senhor de uma longa discografia, reconhece-se nele o legado da AACM, a associação local que se tornou num dos motores da New Thing nas décadas de 1960 e 70, bem como o da ilustre linhagem do saxofone tenor (Coleman Hawkins, Ben Webster, Lester Young…), apesar de dar atenção também a outros instrumentos, designadamente o saxofone barítono, o clarinete em si bemol e o clarinete baixo. Se Vandermark é um consagrado, tendo recebido o Genius Grant da MacArthur Foundation com que também John Zorn foi galardoado, Adam Lane é uma figura em rápida ascensão na Big Apple, hoje já apontado como um valor seguro da nova geração. Depois de ter estudado com Anthony Braxton e Wadada Leo Smith e de ter estagiado com músicos da primeira linha como John Tchicai, Paul Smoker e Barry Altschull, especializou-se no formato “big band” com a sua Full Throttle Orchestra, um laboratório vivo que lhe permite aprofundar inovadores conceitos de escrita e de arranjo, e ao mesmo tempo desenvolver um estilo muito pessoal no contrabaixo.

Ao lado dos americanos encontramos dois europeus em grande destaque no caldeirão nórdico do jazz. O trompetista sueco Magnus Broo tem inoculado a alma do hard bop na contemporaneidade do jazz, e os seus feitos no Fredrik Nordstrom Quintet e nos mais internacionais Atomic levaram Peter Brotzmann a alistá-lo no seu Tentet, um ensemble pretendidamente all star. Quanto ao norueguês Paal Nilssen-Love, a unanimidade da crítica atesta a importância que este dotado baterista conquistou, seja em contexto punk-jazz com os The Thing de Mats Gustafsson, no hendrixiano, mas abstracto e experimental, Scorch Trio ou como “sideman” de Ken Vandermark em combos mais próximos da natureza histórica do jazz ou no duo com que enobrecem a tradição anunciada por Coltrane e Rashied Ali em Interstellar Space. O que os ouvimos fazer prova que a fire music é finalmente universal. O rastilho pegou fogo; agora, é ver as plateias a arder…” (texto da organização)

Ficha Técnica
Trompete – Magnus Broo
Clarinetes, Saxofone barítono – Ken Vandermark
Contrabaixo – Adam Lane
Bateria – Paal Nilssen-Love

Dia 20 de Março – Wishful Thinking
Trem Azul Jazz Store | Início 20.00h | Preço único 5 €

“Os Wishful Thinking são precisamente aquilo que prometem com o nome, uma máquina desejante. É com as realidades da música que trabalham, por vezes escavando mesmo fundo na tradição do jazz (sabe-o quem já ouviu o pianista Alex Maguire tocar em jeito de “stride”), mas o que projectam dessas, digamos, “constatações de facto” tem sempre acrescentada uma componente de idealização, de sonho ou mesmo de utopia. Não só baralham de novo as cartas do jogo que têm na mão como inventam novas regras. O formato base deste grupo formado pelo pernambucano tornado alfacinha Alípio Carvalho Neto pode ser o hard bop, mas tem vertentes que não se coadunam com os postulados deste, e se a presença da composição, sugestiva ao ouvido mas tecnicamente difícil, é aquela que seria de suspeitar devido ao estilo adoptado e ao facto de os músicos que o integram serem também compositores, nem por isso a improvisação está mais circunscrita, e esta sabe quando pode e deve libertar-se. Os Wishful Thinking são, portanto, aquilo que aparentam ser e aquilo que vão revelando quando começam a retirar as camadas exteriores da cebola que é a sua música. A presença de um baixo eléctrico (atenção a Ricardo Freitas, um valor em plena ascensão na cena nacional!) torna-se algo desconcertante, mas tem tudo que ver com o trompe l’oreille do projecto. O mainstream ganhou uma ala “esquerdista” e nela militam Neto, Maguire, Krieger, Freitas e Gonçalves, fabricantes do futuro com as ferramentas do passado.” (texto da organização)

Ficha Técnica
Saxofone tenor – Alípio C Neto
Trompete – Johannes Krieger
Piano – Alex Maguire
Baixo eléctrico –Ricardo Freitas
Bateria – Rui Gonçalves

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