O lendário pianista de John Coltrane enganou a idade e deu um espectáculo intenso perante um auditório esgotado.
A expectativa para o concerto do pianista McCoy Tyner era grande. Se o peso da idade era visível e corriam rumores de saúde debilitada, a verdade é que são raras as oportunidades que temos de assistir ao vivo a um espectáculo do pianista que, integrado no quarteto de John Coltrane, constituiu um dos mais criativos percursos da história do jazz, para além de ter também construído um sólido caminho em nome próprio.
A comparação com Andrew Hill – outro pianista histórico de idade avançada e saúde débil – era inevitável, mas ao contrário do que aconteceu no concerto de Hill, a condição física de Tyner não se reflectiu na execução da sua música na sala da Culturgest. Acompanhado por uma dupla rítmica forte, o pianista deu um concerto onde foram expostas as marcas da sua música. A permanente marcação rítmica, a visível influência rythm`n`blues e a força e intensidade colocada em cada improvisação traduziram-se numa excelente de mostra de piano jazz.
No contrabaixo esteve Gerald Cannon, magnífico em cada intervenção, acutilante no acompanhamento rítmico e soberbo nas improvisações melódicas – os aplausos que recebeu foram todos merecidos. Na bateria Eric Kamau Gravatt mostrou-se menos lírico, menos criativo e mais pesado, mas foi dele muita responsabilidade para o som forte e enérgico do trio.
A sombra de Coltrane persegue o pianista e é impossível escapar-lhe, mas é obrigatório referir que Tyner se consagrou como uma das mais originais vozes pianísticas da história do jazz. Foi esse mesmo pianista – muito rítmico, forte e original – que passou pela Culturgest: «The Real» McCoy mostrou-nos toda a sua arte. Não poderíamos pedir melhor.
Fonte: Diário Digital
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